sábado, 7 de novembro de 2009

Os amigos de Platini

Ingresso semelhante a esse pode levá-lo à final da primeira Liga Europa. Ou não.
Se Michel Platini queria valorizar sua competição secundária, está próximo de atingir o objetivo. Não por suas medidas impositivas, que fique claro. A Liga Europa não vai virar a coqueluche dos europeus por conta do esvaziamento da Liga dos Campeões, cuja fase de grupos recebe equipes da espécie de Debreceni, Unirea, Apoel Nicosia e Zurich. Algumas delas até surpreendem, como o romeno Unirea, que tem boas chances de chegar à próxima etapa. Mas a verdade é que temos visto alguns "grupos de três equipes", a exemplo do E, de Lyon, Fiorentina e Liverpool, que disputam entre si e batem no húngaro Debreceni. Mesmo assim, alguns gigantes podem (e devem) cair fora do mais cobiçado torneio de clubes ainda em 2009.

Daí a eventual (e acidental) valorização do segundo certame do Velho Continente. A UEFA manteve a regra que determina que os terceiros colocados nos grupos da Champions migram para a Liga Europa em fevereiro, quando se iniciam os mata-matas. Hoje, ao final da quarta rodada, essas equipes seriam as seguintes: Bayern de Munique, CSKA Moscou, Olympique de Marselha, Atlético de Madri, Liverpool, Barcelona, Sttutgart e Standard Liège. Outros graúdos, como o Real Madrid, também estão ameaçados. Mas ainda não é o caso de nos referirmos aos merengues. As situações de Bayern, Liverpool e Barcelona são as que merecem análise um pouco mais profunda.

Bayern de Munique (Louis van Gaal). Time-base: Butt; Braafheid, van Buyten, Demichelis, Pranjic; Tymoshchuk, van Bommel, Schweinsteiger; Ribèry, Klose, Robben. O que precisa fazer: ganhar do Maccabi Haifa em Munique e da Juventus em Turim. Ainda deve torcer para a Juve não vencer o já classificado Bordeaux na França.

O problema do Bayern é um mix de teimosia do holandês van Gaal, sistema defensivo fraco e uma série de lesões importantes. As saídas de Lúcio e Zé Roberto são determinantes. Há um déficit de liderança na defesa e de organização no meio. Ribèry e Robben, que deveriam sustentar o esquema e as ambições dos bávaros, estão sempre fora da equipe. Após empatar em casa com a Juventus e perder os dois confrontos contra o Bordeaux, a classificação parece impossível. Principalmente quando pensamos que está atrelada a uma vitória sobre a Vecchia Signora no Olimpico.

Liverpool (Rafael Benítez). Time-base: Reina; Johnson, Carragher, Skrtel, Fábio Aurélio; Mascherano, Aquilani; Kuyt, Gerrard, Benayoun; Torres. O que precisa fazer: necessariamente torcer para a Fiorentina não vencer o Lyon em Florença. Deve ainda derrotar o Debreceni na Hungria e a Fiorentina em Anfield Road. Se os italianos empatarem com o Lyon, será necessário golear a conjunto de Cesare Prandelli.

O "onze inicial" do Liverpool, ainda que sem Xabi Alonso, é um dos melhores da Europa. Veja bem: "onze inicial". Quando Johnson, Aquilani, Gerrard e Torres estão indisponíveis - como é o infeliz e azarado caso -, a situação torna-se um pesadelo. Benítez perde-se em algumas convicções, não flexibiliza seu 4-2-3-1 e aproxima-se, assim, da demissão e do colapso de todos os objetivos dos Reds na temporada. Marcar apenas um ponto em três partidas diante de Lyon e Fiorentina parece ter sido fatal.

Barcelona (Pep Guardiola). Time-base: Valdés; Dani Alves, Puyol, Piqué, Abidal; Yaya Touré, Xavi, Iniesta; Messi, Ibrahimovic, Henry. O que precisa fazer: empatar com o Dinamo em Kiev e vencer a Internazionale em casa.

A situação do Barça é muito mais passível de solução. Entretanto, a terceira colocação num grupo surpreendentemente equilibrado não deixa ninguém seguro na Catalunha. Ainda mais quando notamos que o time não tem problemas claros e, portanto, que demandem consertos que facilmente perceptíveis. Embora com características distintas, Ibrahimovic tem jogado em nível parecido ou até melhor em relação ao apresentado por Samuel Eto'o na temporada anterior. Apesar de não encantar há algumas partidas, o sofrimento do Barcelona deve ser atribuído à estranha derrota em casa para o Rubin Kazan. A impressão é de que o time vai se classificar, provavelmente acompanhado da Inter, e calar os jornais mardilenhos que, entusiasmados com qualquer tropeço blaugrana, indicam o "fim de um ciclo" no Camp Nou.

Vale lembrar que Bayern e Liverpool, em situação mais delicada, são "vítimas" do crescimento dos clubes da França. O Bordeaux, atual campeão nacional, faz campanha épica na fase de grupos da Champions e já está classificado. Assim como o Lyon, mesmo com o elenco consideravelmente alterado em relação a 2008/09. O outro francês na competição, o Olympique de Marselha, também pode produzir estragos: Real Madrid e, em menor escala, Milan estão ameaçados. Por isso, os amigos de Platini são as equipes de seu país.

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Imagem: FanClub-Family

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